Conexões em tempos de pandemia - desafios e avanços das pessoas com síndrome de Down

março 23, 2021

Há um ano convivemos com a pandemia do COVID-19 e suas restrições, sem previsões de retorno das atividades normais do dia-a-dia, como estávamos adaptados. Enquanto isso vamos nos adaptando nesse contexto de novas conexões para vencer os desafios.

Vivemos hoje uma realidade diferente, que requer maiores cuidados e demanda a adoção de protocolos de saúde pública para evitar a propagação do vírus.

Apesar de que desde o início do isolamento social já houve avanços significativos que nos direcionam para uma melhor qualidade de vida, vivemos ainda períodos de incertezas e de abdicação de atividades cotidianas em virtude das necessidades de melhora do momento pandêmico.

A sociedade como um todo se readaptou para que quase tudo pudesse continuar funcionado, diminuindo os impactos e prejuízos causados pela pandemia.

Passamos por processos de fechamento do comércio, lockdown em grandes cidades de todo o Brasil, toques de recolher e atualização de serviços presenciais para o modelo remoto.

A tecnologia como aliada na pandemia

Vemos que a tecnologia hoje foi uma aliada para a manutenção das relações e consequentemente nos auxiliou na manutenção da saúde mental em muitos casos.

Toda a rede de internet, os computadores, celulares e tabletes nos ofereceram grande suporte para que não nos distanciássemos totalmente de amigos, familiares, colegas de trabalho e outras relações.

Permitiu também que fizéssemos planejamentos para que projetos, antes inteiramente presenciais, tivessem sua continuidade por meio de plataformas virtuais.

Abriu possibilidade para que atendimentos médicos e outras áreas de mercado adotassem metodologias à distância, que mantiveram ativas as atividades de muitas empresas em meio a todas as mudanças.

Com o Instituto Mano Down (IMD) não foi diferente, a Instituição reinventou suas atividades dando continuidade aos acolhimentos, atendimentos, projetos esportivos e culturais em regime integralmente remoto, visando a manutenção dos projetos de desenvolvimento individual e o prosseguimento dos trabalhos com nossos educandos.

Assim, vamos tentando diminuir as chances de impactos biopsicossociais, problemas emocionais e diminuição da autonomia dos atendidos de todas as faixas etárias, conectando todos pela inclusão nesse momento tão conturbado.

Conexão saúde – Atendimentos Clínicos e inclusão escolar on-line

Para os mais jovens adotou-se a realização de atividades de inclusão escolar e atendimentos clínicos individuais com as profissionais de saúde, pedagogas e psicopedagogas do Instituto Mano Down. A pandemia chegou e nos fez nos reinventarmos a cada dia. Descobrimos novas maneiras de nos conectar e de nos fazer presente.

A adoção dos atendimentos on-line possibilitou continuar contribuindo para o desenvolvimento das pessoas, a partir da normatização dos atendimentos, conseguimos orientar, conscientizar, instruir pais e crianças para assim continuar favorecendo a aquisição de novas habilidades. Nessa nova metodologia de trabalho, as famílias ficavam responsáveis por oferecer suporte nas atividades propostas pelas profissionais, sendo acompanhadas diariamente pelas profissionais, realizando um trabalho voltado para o plano de desenvolvimento individual de cada um dos bebês e crianças.

Foi indispensável a conexão entre pais e profissionais, conseguimos trabalhar juntos, mais conectados e cientes dos objetivos traçados. Houve continuidade das orientações, atenção as demandas e necessidade de cada um dos atendidos e possibilitou ainda aumento no número de atendidos pelo projeto.

Tecnologias e inclusão para oficinas culturais e esportivas

Para os jovens e adultos matriculados nas oficinas de desenvolvimento, todas as atividades antes realizadas presencialmente foram transpostas para as plataformas on-line, sendo assim, mesmo durante o isolamento eram oferecidas mais de 16h de atividades semanais aos educandos, atividades que trabalham desde a estimulação cognitiva até o condicionamento físico.

A metodologia à distância permitiu que pessoas que residem fora de Belo Horizonte também pudessem realizar as atividades, ampliando o raio de atuação do IMD para outras partes de Minas Gerais e outros estados do Brasil.

Apesar de distante, foi possível grande desenvolvimento de autonomia e apropriação de mais um ambiente por parte de nossos educandos, visto que aderiram ao virtual como principal forma de comunicação e meio de acesso àas aulas.

Os educandos adotaram também a utilização das redes sociais, um espaço valioso para divulgação de suas habilidades e local onde podem colocar-se como protagonistas.

Veja também – Oficinas on-line do Mano Down são pauta do programa Balanço Geral da Record – Assista

Inclusão no mercado de trabalho em tempos de pandemia

O conceito de trabalho, apontado por vários estudiosos e pensadores, é normalmente reconhecido como atividade sobre a qual o ser humano, todos eles, empregam sua força para gerar os meios para sua sobrevivência.

Durante muito tempo pessoas com deficiência eram subjugadas e excluídas desse conceito, em que, dentro da formulação histórica do mundo do trabalho, só eram aceitos aqueles que não possuíam diferenças, nisto, mulheres, negros, indígenas, homossexuais e pessoas com deficiência eram excluídos.

Na medida em que protocolos e convenções internacionais, assim como leis e muita luta multidimensional por parte da população, aos poucos, a inclusão tem sido facilitada, porém, sempre há a necessidade de atenção para retrocessos.

No ano de 2020, diante de um vírus que pela sua natureza requer o contato das pessoas para se espalhar, o Mano Down e as empresas parceiras que entenderam a necessidade da manutenção do trabalho, mas precisando mudar a forma de interagir, conectando-as de forma virtual.

Inicialmente, foi-se pensado em algo que duraria semanas, porém os meses foram se passando e chegou-se a um ano de pandemia o que quebrou com as rotinas dos incluídos.

E, por serem pessoas com deficiência intelectual, o processo de aprendizagem pode ter sido atingido nessa falta de estimulação na qual tinha como papel o trabalho.

Como forma de amenizar as perdas pelo distanciamento, as rodas online de conversa com os educandos proporcionam a troca de experiências e o recordar das vivências do trabalhar, mesmo que seja apenas no ato de falar.

Tal atividade estabelece e aumento tanto na percepção como um trabalhar, assim como aumento do vínculo com seus colegas.

Veja também – MRV faz homenagem para trabalhadores no Dia Internacional da síndrome de Down – Assista

Desafios e desigualdades em tempos de pandemia

Durante os últimos anos o Instituto Mano Down conseguiu quebrar a barreira da invisibilidade que cobre a inclusão de pessoas com deficiência intelectual, proporcionando que dezenas de vidas possam se desenvolver enquanto seres autônomos e com a própria voz.

Porém, a inclusão não gera apenas a autonomia, mas também estabelece a confiança em si, a autoestima e o processo de independência financeira.

A inclusão social, perpassa pela possibilidade da construção da identidade social e, sobretudo, do reconhecimento como gente com potencialidades.

O trabalho do IMD busca continuação em meio as dificuldades, driblando as limitações causadas pelo distanciamento.

Entretanto, mesmo em teoria podendo as aulas serem realizadas dentro de casa, sem contato com o vírus ou com aglomerações, a desigualdade surge quando não há internet ou computador.

Ou pior, quando não há alfabetização e introdução a parte computacional, fazendo algo que por natureza é para aproximar, distancia ainda mais.

Porém, os desafios podem ser superados na medida em que as famílias se engajam no processo de educação e participação na mudança de postura, mesmo sem internet podem realizar atividades que exercitam tanto o corpo, quanto a memória.

Veja também – 2020 – retrospectiva Mano Down: vencendo desafios – Assista

 

Artigo produzido por

Breno – Psicólogo equipe de Desenvolvimento Potencializado

Gabriel – Psicólogo – equipe Desenvolvimento Potencializado / Talento Apoiado

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